Muito além do plantio: a engenharia agrônoma e sua ligação com a saúde do solo

Pensando de uma maneira macro, a conservação dos nossos solos é uma das maiores contribuições para a melhoria de vida da nossa população. Pelo menos deveria ser!

Com a conservação do solo, reduzimos os custos de manutenção, melhoramos as condições de oferta hídrica – reduzindo os períodos sem chuva nas lavouras, diminuímos as perdas de nutrientes. Isso tudo influencia positivamente no impacto social e econômico.

Para o Prof. Dr. Adriel Ferreira da Fonseca, “a engenharia agrônoma nada mais é do que a combinação das tecnologias para atingir um objetivo. O engenheiro agrônomo é o médico do solo e das plantas. Esse profissional está para as plantas assim como o médico está para as pessoas”.

Precisamos falar sobre os solos

Você sabe quais e quantos são os tipos de solos existentes? Isso é assunto para 120 horas de apenas uma matéria no curso de Agronomia. Para iniciar esse assunto já falamos de 20 tipos de solo. Falando em Paraná, os principais tipos de solo cultivados com grãos são latossolos, argissolos, cambissolos, neossolos quartzarênicos e nitossolos. Porém a região dos Campos Gerais possui solos com maior representatividade. “Na nossa região os solos mais utilizados para o cultivo de grãos são latossolos e cambissolos”, afirma Fonseca.

O que muitas pessoas não sabem é que, mesmo com essa divisão, é possível que em uma mesma propriedade existam entre 5 a 10 tipos de solos. Porém é preciso muita atenção: ao medir o potencial de determinado solo que é realizada a destinação de cultura. “Se eu tenho em uma área o latossolo, que é o solo mais nobre em termos de física do solo, destino as culturas com maior rentabilidade. Os neossolos quartzarênicos são solos que possuem menos de 15% de argila. Nesse caso são destinadas aquelas culturas que não necessariamente serão as mais rentáveis em curto e médio prazo”, conta Fonseca.

Muitos fazendeiros e agricultores se questionam sobre qual que é o melhor solo para seu cultivo. A resposta, segundo Fonseca, é simples: “o melhor solo é aquele que é seu, o que está na sua fazenda. Você deve aproveitá-lo da melhor forma possível, e para isso existe o profissional engenheiro agrônomo para ajuda-lo”. O engenheiro possui o papel de profissional capacitado a maximizar os recursos naturais, aliando terra + trabalho + capital em prol da produção agrícola.

Quando falamos de rentabilidade, a cultura deve ser adaptada ao tipo de solo presente em sua fazenda. Somente dessa forma é possível torná-la rentável. São muitos pontos que devem ser levados em consideração quando falamos de sucesso e qualidade de uma produção agrícola. Para isso, existe uma área dentro da agronomia chamada “Ciência do Solo”, onde o profissional é formado com o intuito de ajustar o que há de melhor dentro da realidade que o agricultor possui.

Solo e água: qual a ligação?

Um dos principais papéis do solo dento da natureza é o armazenamento de água. Quando se é falado sobre o excesso e/ou a falta de água em algum solo, é preciso pensar em alguns aspectos e se fazer alguns questionamentos como: qual é a capacidade do solo? “O excesso e/ou a falta de água possui relação direta com o solo e a sua capacidade de armazenamento de água”, afirma Fonseca. Se cai uma chuva totalmente fora da normalidade e o solo sobrevive com o mínimo de prejuízo, esse solo passou por diversas práticas de manejo conservacionista: plantio direto, curva de nível, solo descompactado e rotação de cultura. Engana-se quem ache que resiliência é apenas uma qualidade do ser humano. Precisamos falar sobre a resiliência do solo. Esse é um ponto chave, já que mesmo que esse solo sofra um grande impacto, existe a chance dele retornar à sua condição natural. “Quanto melhor é o manejo do solo, melhor é a sua resiliência. O solo suporta um stress hídrico, suporta o excesso d’água, suporta temporariamente um tráfego inadequado de máquinas. Então o manejo do solo visa aumentar a sua resiliência”, conta Fonseca.

Cuidados com o solo

O solo é considerado o principal meio de crescimento para as plantas. Para formar um solo, leva-se em média de 500 a 1000 anos, falando a nível Brasil – considerado uma das regiões mais rápidas de se formar um solo. Quando falamos da formação de um solo com boa propriedade, jogamos a expectativa para alguns milhões de anos.

“Após toda uma espera de formação desse solo, uma única chuva pode levar embora até 20cm da camada de um solo inadequado. O que temos de perda de solo hoje no estado de Paraná ultrapassa tranquilamente 50 milhões de dólares” afirma Fonseca. Ainda segundo o professor, essa perda acontece por um conjunto de fatores: erosão hídrica, erosão eólica, áreas que acabam sendo manejadas de forma equivocada. Daí vem a importância da conservação de solo, uma estrutura chave dentro do manejo de agronomia.

A importância da constante atualização

A formação adequada de um professor pesquisador envolve a leitura de cerca de 150 a 200 artigos por ano quando falamos sobre atualização. Os professores pesquisadores são os reais responsáveis pelos materiais que servem como referência para os profissionais agrônomos. “Nós, como cientistas, temos o papel de compilar todas as referências, colocando nossas pesquisas e experiência como suporte aos profissionais e alunos”, conta Fonseca.

Outro importante aliado nessa busca por atualização são as associações de classe. Esses órgãos atuam como centros de atualização dos profissionais. Mais do que pesquisar, é necessário a difusão da tecnologia e das informações. Segundo Fonseca, “a AEACG é conhecida nacionalmente por ser muito técnica. Ela não produz, mas oferece os profissionais e os subsídios para a atualização dos associados. Os professores pesquisadores entram com a inovação e pesquisa, enquanto a associação reúne os melhores profissionais para difundir esses conhecimentos”.