Culturas de Inverno

Diversificação de safra: precisamos falar sobre as culturas de inverno
Assim como muitas outras coisas são diretamente afetadas pelas mudanças climáticas, a lavoura não é diferente. As culturas de inverno são opções extremamente rentáveis para todos os tipos de produtores. Mas como trabalhar com essas culturas? Para início de conversa precisamos entender melhor sobre o que estamos falando.

Afinal, o que são culturas de inverno?

De modo geral, as culturas de inverno são aquelas que são semeadas e depois colhidas em períodos mais frios. Elas dependem de um número de horas de frio para produzir, por isso sua relação com o inverno. Essas culturas são chamadas de cereais de inverno, já que sua produção é de cereais.

O processo dessas lavouras começa com o período de germinação, assim como tantas outras colheitas. Então, depois disso, temos o perfilhamento, ou seja, a planta que germinou vai colocar mais plantas junto com ela – uma planta gera quatro ou cinco espigas por cada semente plantada.

Após o perfilhamento a planta terá uma parte de alongação – o crescimento – e então acontece o espigamento. Segundo o engenheiro agrônomo Fábio Schimidt, existem culturas que, após o espigamento, possuem fecundação interna (como a cevada), não dependendo de outras plantas para produzir; tem plantas como o trigo que têm fecundação cruzada: uma vez fecundado o grão ele terá a fase de enchimento de grão. “Isso depende de qual cultura estamos falando. Cada uma possui sua particularidade. Ao final, temos a maturação e então a esperada colheita”, afirma.

Há alguma receita da cultura de inverno perfeita?

Para Schimidt o macete para você produzir bem a cultura de inverno é seguir as recomendações técnicas: “nosso clima tem apresentado variações significativas. Para cada ano você tem uma estratégia. Ter uma assistência técnica de qualidade para que, dependendo da condição climática, seja tomada a melhor decisão com o menor custo ou o melhor retorno financeiro daquela ação que será feita é o essencial”.
As lavouras de inverno possuem um risco maior, já que dependem de fatores climáticos, fundamentalmente. Além de serem culturas de risco maior, possuem um alto investimento, o que torna a necessidade de bom gerenciamento indispensável. “O sucesso de uma lavoura de inverno é saber administrar o risco: você pode plantar várias culturas e procurar diluir teu risco em várias culturas e em várias épocas de plantio. Se eventualmente você tiver prejuízo com uma cultura, as outras te salvam”, diz Schimidt. Essa administração do risco de inverno é o que faz o sucesso ou o insucesso da sua cultura.

A história do ‘é melhor prevenir do que remediar’ é certa também na agricultura. “Sempre falamos para os agricultores: é melhor fazer a cultura em uma área menor e bem feita do que ocupar uma área maior e não seguir as recomendações técnicas mais atuais e mais eficientes”, afirma Schimidt.

Entendendo a cultura de inverno na prática

Em nossa região uma das entidades que trabalham com força quando o assunto é culturas de inverno é a Fundação ABC. “No site deles, quando você entra na parte climática, é possível ter acesso às previsões para as culturas e doenças. Você pode ir monitorando como está a condição climática favorável para determinada doença ou não favorável”, nos conta o engenheiro agrônomo. O site Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (FAPA) também é uma excelente referência para os interessados em culturas de inverno. Schimidt ainda destaca os sites oficiais: EMPRAPA e Ministério da Agricultura. “No site da EMBRAPA tem as recomendações técnicas oficiais para as culturas. É feita uma reunião com todos os pesquisadores da área para definir o que é mais eficiente e mais econômico. Já no site do Ministério da Agricultura temos um zoneamento agroclimático”. Referência é o que não falta, amigo engenheiro.

Entrevistado: Fábio Schmidt

CREA-PR 25.479-D